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Mais um esquema de doleiros é desarticulado no Sul

Investigação

Após dois meses de investigações conjuntas, uma força-tarefa desarticulou mais um grande esquema de câmbio paralelo, de lavagem de dinheiro, de remessa ilegal de recursos ao exterior e de utilização de contas de "laranjas"
publicado: 10/10/2002 00h00 última modificação: 18/03/2015 19h55

Após dois meses de investigações conjuntas, uma força-tarefa, composta pela Receita Federal, Ministério Público Federal, e Polícia Federal desarticulou mais um grande esquema de câmbio paralelo, de lavagem de dinheiro, de remessa ilegal de recursos ao exterior e de utilização de contas de "laranjas", que operava no sul do Brasil, mais especificamente em Curitiba-PR, dissimulado como "Agência de Turismo".

A operação de busca e apreensão judicial desencadeada no início da manhã de hoje envolveu vinte Auditores-Fiscais da Receita Federal, que, juntamente com mais de trinta Agentes da Polícia Federal, cumpriram mandados judiciais em dez locais simultaneamente, entre eles, cinco estabelecimentos comerciais e um cofre particular de aluguel mantido pelo esquema criminoso numa agência bancária.

Além das buscas, a Justiça Federal determinou a prisão temporária de quatro pessoas(dois sócios de uma agência de turismo de Curitiba, um operador da empresa e uma outra pessoa ligada ao grupo por administrar o fluxo financeiro do esquema). Todos foram presos nas primeiras horas da manhã, nas suas residências. Além disto, no cumprimento da ordem judicial um advogado acabou sendo preso por não permitir a entrada dos Policiais Federais e dos Auditores-Fiscais em determinado conjunto comercial.

Vários foram os documentos e dados apreendidos nas buscas efetuadas, destacando-se uma dezena de CPUs , notebooks, mídias, disquetes de backup, extratos, contratos de constituição de empresas no exterior, etc.

Destaca-se também o fato de que no mesmo momento em que se deflagrava a operação, estavam sendo bloqueadas judicialmente dezenas de contas bancárias envolvidas nas operações ilícitas, algumas em nome de pessoas físicas e jurídicas "laranjas" e várias contas em nome de grupo empresarial que fornecia suas contas bancárias, em troca de comissão, para operacionalizar o fluxo de Reais do esquema. Para cumprir a determinação judicial de bloqueio de valores, a mencionada força tarefa contou com a pronta ação do Banco Central (Decif/GTCur), o qual repassou imediatamente o teor da decisão às diretorias dos bancos envolvidos, via Sisbacen, no início desta manhã.

As análises mais aprofundadas dos elementos coletados, os decorrentes rastreamentos de contas bancárias, incluindo as necessárias perícias nos meios magnéticos, certamente indicarão os nomes de um grande número de pessoas físicas e jurídicas que vinham se utilizando desse esquema para lavar expressivos recursos de origem duvidosa, remeter ilegalmente valores ao exterior ou manter recursos em bancos estrangeiros, sem prestar contas à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil.

Por fim, releva citar que esta operação, denominada "Stone Curitiba", foi decorrente de investigações procedidas pelo Escritório Regional da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal, há mais de cinco meses contra dois dos maiores esquemas de doleiros de Santa Catarina, descobertos em função de fiscalizações desenvolvidas pela Delegacia da Receita Federal de Blumenau em ações fiscais iniciadas pelos cruzamentos de dados da CPMF. Em Santa Catarina a ação judicial culminou no final do mês de agosto passado em mega-operação conjunta dos órgãos envolvidos, resultando na prisão temporária de seis pessoas, a apreensão do equivalente a mais de um milhão de reais em moedas estrangeiras e em mais de R$ 2 milhões bloqueados em contas bancárias de clientes ou "laranjas" dos esquemas, entre outros fatos.